Na possibilidade do plano

Procuro abordar uma questão relacionada com a mediação no objecto artístico. Este surge através de um processo empírico que se desenvolve de uma forma contínua, onde o conhecimento (do objecto) não se assume como preexistente. A experiência coincide tangencialmente com a problematização e este ponto materializado transforma-se no fulcro da de todos os esforços de cogitação do objecto.

O enunciado deste trabalho possibilita o entendimento de uma estrutura, que nos sustenta e nos devolve a nós mesmos. Por vezes ela não é evidente, faz-se oculta enquanto continua a ser responsável pela existência de uma superfície, um lugar “confortável” — reconhecível pelo tacto.

Confrontados com este lugar, utilizando-o (como objecto e elemento), e na evidência da estrutura, da forma do espaço, torna-se necessário adoptarmos uma posição. Falo de uma situação, um lugar, um momento, resultado de uma alteração, provocada por elementos internos ou externos. Este momento (trabalho) possibilita uma abordagem, uma aproximação à ideia de posicionamento.

A diferença de posição entre o objecto e a estrutura pode ser entendida como uma variação de tempo, uma sugestão de percurso que se baseia na incerteza da existência de princípio ou fim, pelo menos no que diz respeito a este acontecimento.

Assim, estes posicionamentos recusam assumir-se como estáticos ou definitivos e são antes jogos em que tanto o lugar como a forma sofrem e promovem uma redefinição constante, onde elementos e factores externos não desempenham um papel de protagonismo. O que se revela é sempre uma ilusão, que em última análise poderá ser entendida através do distanciamento provocado pelo objecto bidimensional.

Ricardo Pistola